O QUE ME GOVERNA É O QUE EU PENSO, NÃO O QUE EU SINTO.
Pode invadir, mas, com delicadeza e não tão devagar que me provoque sono.
Não grite comigo. Tenho o péssimo hábito de revidar.
Acordo pela manhã com ótimo humor, mas, não me acorde com barulho.
Me faça sentir saudades; conte algumas coisas que me façam rir, mas, não faça piada de alguém e nem seja preconceituoso. Não perca tempo cultivando este tipo de herança.
Qualquer luzinha brilhante me distrai, mas, lugares comuns não costumam me comover, nem me mover.
Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto seguro, um albergue, mas, deixe-me questionar, às vezes, se vale a pena ficar só.
Acredite nas verdades que digo e, também, nas mentiras; elas serão raras e sempre por uma boa causa.
Realize minhas vontades, elas são tão modestas; um pacote de bala pode me fazer feliz!
Respeite meu choro, minhas referências de vida, minhas experiências.
Não me deixe sozinha e volte quando eu chamar, mas, não me obedeça sempre... eu também gosto de ser contrariada.
Seja mais forte que eu.
Pratique a necessária troca comigo. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, pêlos do peito, braços, pernas, pescoço...Faça a sua parte.
Seja como eu: mais pra caseiro e só um pouco da vida e não de boate, que isto é coisa de gente triste.
Goste de assistir a tv, mas, não seja escravo dela; aliás, não seja escravo meu, nem filho meu, nem meu pai.
Me enlouqueça uma vez por mês.
Goste de música e de sexo na medida.
Tenha amigos e fale muitas bobagens juntos; não me conte seus segredos, mas, me revele algumas verdades inteiras...
Me faça massagem nas costas.
Não segure o choro, nem o meu nem o seu. Não esconda o que sente.
Se tiver que ir, vá de uma vez.
Se não, fique e mantenha-se por perto.
Rapte-me. Capture-me. E não me devolva a mim mesma; pelo menos, não de uma vez.
E se nada disso funcionar... experimente me amar!
(Baseado num texto da escritora M.Medeiros)